segunda-feira, 31 de julho de 2017

Aprendizagens essenciais

aprendizagens essenciais adiadas

Há meses falou-se de uma revisão curricular, destinada nomeadamente a encurtar os programas. O governo negou que fosse realmente uma revisão e procurou dar-lhe nomes mais suaves, para não dar a ideia de que haveria alteração dos programas. Tratar-se-ia apenas da identificação das “aprendizagens essenciais”.

Se se trata apenas disso ou mais do que isso não faço a mínima ideia, pois há meses que o governo anuncia a divulgação no mês seguinte de um documento com as “aprendizagens essenciais”, mas quando chega a data anunciada volta a adiar. Amanhã é 1 de agosto e a maior parte dos professores irá de férias sem conhecer as “aprendizagens essenciais” que deverão ser implementadas no próximo ano letivo. O que é particularmente grave nas escolas que aderiram ao projeto de flexibilidade curricular. Mesmo que o documento seja divulgado hoje é óbvio que será tarde demais.  

Se um professor se atrasar tanto no seu trabalho terá problemas, mas sendo o governo é de prever que ninguém seja responsabilizado.

Uma coisa curiosa e muito demonstrativa da maneira portuguesa de fazer as coisas: os professores ainda não conhecem as “aprendizagens essenciais” mas já foram informados da realização de algumas sessões de esclarecimento acerca das mesmas (no próximo mês de outubro) e do seu preço.

Se estiver interessado nas sessões de Filosofia veja AQUI. Eu estou interessado, mas não gosto desta maneira de fazer as coisas.

sábado, 10 de junho de 2017

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

NA PRAIA

Raça de marinheiros que outra coisa vos chamar
senhoras que com tanta dignidade
à hora que o calor mais apertar
coroadas de graça e majestade
entrais pela água dentro e fazeis chichi no mar?

Ruy Belo

portugal litoral interior

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Matriz do 5º teste do 11º ano

ciência

Fotografia: “Projeto de Ciência: Separar os componentes de uma mistura”, no Agrupamento de Escolas Dr.ª Laura Ayres, com turmas do 7º ano e do Jardim de Infância.

Objetivos:

1. Explicar o que é o senso comum.

2. Mostrar que o senso comum é útil mas limitado.

3. Explicar a importância atualmente atribuída à ciência.

4. Explicar a perspetiva indutivista do método científico.

5. Explicar as objeções ao indutivismo estudadas: a ciência estuda fenómenos inobserváveis; a observação pura não é possível.

6. Explicar a conceção falsificacionista de ciência.

7. Mostrar como é que o falsificacionismo distingue entre ciência e pseudociência.

8. Explicar a posição de Popper relativamente ao problema da indução.

9. Explicar a perspetiva falsificacionista do método científico.

10. Explicar as objeções ao falsificacionismo estudadas: a sua conceção do método científico é normativa e não descritiva; não valoriza suficientemente a importância dos resultados positivos.

11. Comparar e avaliar o indutivismo e o falsificacionismo.

12. Explicar a perspetiva de Popper acerca da objetividade e progresso da ciência.

13. Explicar o conceito de paradigma, segundo Kuhn.

14. Explicar os conceitos de ciência normal, anomalia, crise, ciência extraordinária e revolução científica.

15. Explicar a perspetiva de Kuhn sobre a objetividade e progresso da ciência.

16. Explicar as objeções a Kuhn estudadas.

17. Comparar e avaliar as perspetivas de Popper e Kuhn acerca da objetividade e progresso da ciência.

A. Conhecer exemplos ilustrativos de todos os conceitos referidos.

B. Identificar os conceitos referidos em exemplos dados pelo professor.

Para estudar:

Fotocópias e PDF’s

No Manual: da 202 à 205, da 208 à 210, da 216 à 225.

No blogue Dúvida Metódica:

Algumas diferenças entre o senso comum e a ciência

O que pode a ciência provar?

As teorias científicas são falsificáveis

O falsificacionismo de Karl Popper

Um cientista popperiano

A evolução da ciência: Popper e Kuhn

Complementar:

Medicinas alternativas: ciência ou aldrabice?

Engodo. Homeopatia é ineficaz e até perigosa, diz estudo
Mente aberta

domingo, 21 de maio de 2017

Três palavras estranhas

 

As três palavras mais estranhas

 

Quando pronuncio a palavra Futuro,

a primeira sílaba já pertence ao passado.

Quando pronuncio a palavra Silêncio, destruo-o.

Quando pronuncio a palavra Nada,

crio algo que não cabe no que ainda não existe.

 

Wislawa Szymborska

 

WisawaSzymborska

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Matriz do 5º teste do 10º ano

desigualdade de oportunidades

Duração:

90 minutos + 10 minutos de tolerância.

Objetivos:

1. Dar exemplos de problemas de filosofia política.

2. Explicar em que consiste o problema da justiça distributiva.

3. Explicar o que é o capitalismo.

4. Explicar o que é o comunismo.

5. Explicar como é que, segundo Rawls, se podem identificar princípios de justiça de um modo imparcial.

6. Explicar cada um dos princípios de justiça propostos por Rawls.

7. Explicar o primado do princípio da liberdade e a rejeição do utilitarismo.

8. Explicar a estratégia maximin.

9. Analisar e discutir o argumento segundo o qual a distribuição da riqueza não se deve basear em fatores moralmente arbitrários.

10. Explicar em que medida Rawls se apoia em algumas ideias de Kant.

11. Explicar em que medida a teoria de Rawls tenta conciliar a liberdade individual e uma maior igualdade.

12. Explicar objeções à teoria de Rawls.

13. Explicar a teoria de Nozick (direitos invioláveis, crítica aos impostos, estado mínimo…) e mostrar em que medida constitui uma tentativa de refutar a teoria de Rawls.

14. Explicar em que medida Nozick se apoia em algumas ideias de Kant.

15. Explicar objeções à teoria de Nozick.

16. Comparar as teorias de Rawls e de Nozick e discutir qual delas é mais plausível.

17. Defender uma opinião acerca do problema da justiça distributiva.

18. Indicar problemas estudados pela filosofia da religião.

19. Dar exemplos de religiões monoteístas e politeístas.

20. Explicar a conceção teísta de Deus.

Natureza das questões:

Escolha múltipla; identificação e avaliação de exemplos; questões de resposta curta e de resposta extensa.

Para estudar:

Partes assinaladas das seguintes páginas do Manual: 165-166, 168-172.

PDF’s dados aos alunos.

No blogue Dúvida Metódica:

Links sobre justiça social

terça-feira, 25 de abril de 2017

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Conferência de Frederico Lourenço, em Portimão

Conferencia  Biblia, História e Filosofia de Frederico Lourenço Portimão

Frederico Lourenço é professor na Universidade de Coimbra, na área dos Estudos Clássicos. Traduziu a Bíblia e vários clássicos gregos, nomeadamente a Ilíada e a Odisseia, de Homero, Hipólito e Íon, de Eurípedes, e poemas de diversos poetas. Escreveu também adaptações da Ilíada e da Odisseia destinadas a jovens e alguns romances, contos e ensaios. Em 2016 ganhou o Prémio Pessoa.

A qualidade do seu trabalho promete uma conferência muito interessante, no próximo dia 21 de abril, em Portimão. A organização é do grupo de Filosofia da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, que há vários anos organiza boas conferências filosóficas.

Eis um pequeno exemplo da arte com que Frederico Lourenço muda para português os clássicos, neste caso a poetisa Safo:

Aquele parece-me ser igual dos deuses,
o homem que à tua frente
está sentado e escuta de perto
a tua voz tão suave

e o teu riso maravilhoso. Na verdade isto
põe-me o coração a palpitar no peito.
Pois quando te olho num relance, já não
consigo falar:

a língua se me quebrou e um subtil
fogo de imediato se pôs a correr debaixo da pele;
não vejo nada com os olhos, zunem-me
os ouvidos;

o suor escorre-me do corpo e o tremor
me toma toda. Fico mais verde do que a relva
e tenho a impressão de que por pouco
que não morro.

Poesia Grega de Álcman a Teócrito, organização, tradução e notas de Frederico Lourenço, Livros Cotovia, Lisboa, 2006, pp. 37-38.

Outras traduções de Frederico Lourenço:

As pessoas agem mal porquê?
A amizade
A condição humana

quinta-feira, 23 de março de 2017

Rebelde sem causa

imageimage

Entre um clássico do cinema e um clássico da Filosofia haverá afinidades?

A banda desenhada sobre Hume e outros filósofos poder ser lida AQUI.

terça-feira, 21 de março de 2017

Dia Mundial da Poesia: uma divisa de vida

 
"Fazer o mais honesto, empenhar-se
ao máximo, sabendo que é completamente irrelevante.
É essa a grandeza do ser humano."
Manuel António Pina
 
Descobri esta citação no mural do jornalista do "Expresso", Pedro Santos Guerreiro (http://www.facebook.com/pedro.s.guerreiro), bem como as palavras que a seguir transcrevo:
"A poesia não serve para coisa nenhuma. Às vezes serve para alimentar egos, para fazer uns engates... mas a poesia é inútil. Pelo menos como eu a entendo. É gratuita. Não se compra, não se vende - embora haja muita gente a vender-se através da poesia. De qualquer modo, por algum motivo, os homens escrevem poesia, desde sempre escreveram poesia, apesar de tudo isto. E apesar de a poesia ser uma igreja com muito poucos fiéis".
(Palavras de Manuel António Pina, a fechar o documentário "Um sítio onde pousar a cabeça", de Alberto Serra, realização de Ricardo Espírito Santo, na RTP 2.)

segunda-feira, 20 de março de 2017

Matriz do 4º teste do 11º ano

David Hume

Duração: 90 minutos + 10 minutos de tolerância.

Objetivos:

1. Explicar e discutir as críticas de Hume a Descartes.

2. Mostrar como Hume classifica e relaciona os conteúdos mentais.

3. Explicar em que consiste o princípio da cópia.

4. Explicar a rejeição empirista das ideias inatas.

5. Distinguir as questões de facto e as relações de ideias.

6. Distinguir conhecimento a priori e a posteriori.

7. Discutir a opinião de Hume de que nenhum conhecimento a priori é substancial.

8. Explicar o modo como Hume entende a causalidade.

9. Explicar a objeção à perspetiva de Hume acerca da causalidade segundo a qual a existência de conexões causais é a explicação mais plausível das conjunções constantes.

10. Explicar as objeções de Thomas Reid à perspetiva de Hume acerca da causalidade.

11. Explicar a análise feita por Hume ao problema da indução.

12. Mostrar porque é que David Hume se considera um cético moderado.

13. Comparar a perspetiva racionalista e a perspetiva empirista quanto ao problema da origem do conhecimento.

14. Avaliar e discutir as ideias de David Hume acerca do conhecimento.

Natureza das questões:

Escolha múltipla; identificação e avaliação de exemplos; questões de resposta curta e de resposta extensa.

Para estudar:

No Manual: da pág. 171 à pág. 191. 

PDF’s dados aos alunos.

No blogue Dúvida Metódica:

Links sobre David Hume

domingo, 19 de março de 2017

Matriz do 4º teste do 10º ano

dilema-do-trem dilema do trolley

Duração: 90 minutos + 10 minutos de tolerância.

Objetivos:

1. Explicar em que consiste o problema da fundamentação da moral.

2. Explicar porque é que o utilitarismo de Stuart Mil é uma ética consequencialista.

3. Explicar porque é que o utilitarismo de Stuart Mil é uma ética hedonista.

4. Distinguir prazeres inferiores e superiores.

5. Explicar o que é, segundo Stuart Mill, o princípio da utilidade.

6. Aplicar o princípio da utilidade a casos concretos e determinar se a ação em causa é moralmente correta ou incorreta.

7. Explicar porque é que, para o utilitarismo de Stuart Mil, os deveres não são absolutos.

8. Explicar porque é que o utilitarismo não é uma ética relativista.

9. Explicar as objeções ao utilitarismo de Stuart Mil estudadas.

10. Explicar porque é que a ética defendida por Kant é deontológica.

11. Explicar o que é, segundo Kant, o imperativo categórico.

12. Explicar a primeira fórmula (chamada fórmula da lei universal) do imperativo categórico.

13. Explicar a segunda fórmula (chamada fórmula da humanidade) do imperativo categórico.

14. Aplicar as duas fórmulas do imperativo categórico a casos concretos e determinar se a ação em causa é moralmente correta ou incorreta.

15. Explicar porque é que ética deontológica não é uma ética relativista.

16. Distinguir ações contrárias ao dever, ações por dever e ações em conformidade ao dever (motivadas por sentimentos e motivadas pelo interesse).

17. Explicar porque é que, para Kant, a intenção é que confere valor moral às ações.

18. Distinguir imperativo categórico e imperativo hipotético.

19. Explicar porque é que, para Kant, os deveres são absolutos.

20. Explicar o que entende Kant por boa vontade.

21. Distinguir autonomia e heteronomia.

22. Explicar as objeções à ética deontológica de Kant estudadas.

23. Comparar e avaliar a ética de Stuart Mill e a ética de Kant.

24. Aplicar os conteúdos de lógica.

Natureza das questões:

Escolha múltipla; identificação e avaliação de exemplos; questões de resposta curta e de resposta extensa.

Para estudar:

Partes assinaladas das seguintes páginas do Manual: 132-134, 136-138, 140-145.

PDF’s dados aos alunos.

No blogue Dúvida Metódica:

Links: Stuart Mill e Kant

segunda-feira, 13 de março de 2017

A Escola Secundária Tomás Cabreira nas VI Olimpíadas de Filosofia

O meu aluno João Janeiro (11º 8) e a aluna Carolina Domingos (11º 2) irão representar a Escola Secundária Tomás Cabreira nas VI Olimpíadas Nacionais de Filosofia, em Lagos, nos dias 21 e 22 Abril, e eu irei acompanhá-los. Agradeço a ambos o interesse que manifestaram por este projeto, e em particular ao João por ter tido a iniciativa de querer participar.

Estão inscritas 31 escolas e 61 alunos.

Eis o programa:

Foto de Prosofos.

Links: Stuart Mill e Kant

O Assassínio de Inês de Castro de Karl Briullov 1834
Karl Briullov: O Assassínio de Inês de Castro, 1834
O eléctrico desgovernado: discussão de um dilema moral
Será correto sacrificar uma pessoa para salvar centenas?
Discussão de um dilema moral: qual seria a ação correta?

Stuart Mill:

Qual é o critério da moralidade?
O utilitarismo: ideias básicas
Qual é a ação correta?

Apontamento sobre o Utilitarismo  (tópicos)

Mentir é sempre errado? (vídeo)
Vídeo sobre o utilitarismo
Quais são os prazeres superiores?
Argumentos contra o utilitarismo

Kant:

Deveres e autonomia

Os imperativos de Kant (esquema)

As pessoas não são instrumentos

Quando é que as nossas ações têm valor moral?

Quais são as acções que têm valor moral? (ficha de trabalho)

Por dever ou apenas em conformidade ao dever? (caso real)

Agir bem para evitar problemas (BD)

Ser livre é obedecer à lei moral
Três minutos com Kant (vídeo)

Aconselhado

Um prazer superior

O que é mais importante que a felicidade?
É melhor servir que mandar despoticamente
O imperativo categórico é consequencialista?

quarta-feira, 1 de março de 2017

O imperativo categórico é consequencialista?

mill-versus-kant desenho - O imperativo categórico é consequencialista

Immanuel Kant pensava que as consequências boas ou más das ações não deviam ser tidas em conta na sua avaliação moral. Para ele, o imperativo categórico era uma forma de avaliar moralmente as ações completamente independente das suas consequências. Contudo, há quem pense que a única interpretação plausível do imperativo categórico é consequencialista. John Stuart Mill apresentou deste modo essa objeção contra Kant:

Kant, esse «homem notável, cujo sistema de pensamento permanecerá por muito tempo como um dos marcos na especulação filosófica, estabelece, realmente, no tratado em questão [a Fundamentação da Metafísica dos Costumes], um primeiro princípio universal como origem e fundamento da obrigação moral; é este: “Age de tal maneira que a regra da tua ação possa ser adotada como lei por todos os seres racionais”. Mas quando começa a deduzir deste preceito qualquer um dos deveres reais da moralidade, fracassa, de forma quase grotesca, em demonstrar que haveria qualquer contradição, qualquer impossibilidade lógica (para não dizer física), da adoção por todos os seres racionais das regras de conduta mais revoltantemente imorais. Tudo o que demonstra é que as consequências da sua adoção universal seriam de tal ordem que ninguém escolheria sofrê-las.»

John Stuart Mill, Utilitarismo, Gradiva, Lisboa, 2005, pág. 47.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

O pesadelo da igualdade

HarrisonBergeron harrisonbergeron 2

Imagine uma sociedade que, em nome da igualdade, obrigasse os cidadãos mais rápidos a usar pesos que impediam que a sua velocidade superasse a dos outros. Imagine também que os cidadãos mais inteligentes eram obrigados a ouvir permanentemente um ruído perturbador que os impedia de ser mais perspicazes que os outros. Talvez não fosse uma sociedade boa para viver.

O escritor norte-americano Kurt Vonnegut descreveu uma sociedade desse género no conto Harrison Bergeron. Pode lê-lo, traduzido por Desidério Murcho, na revista Crítica: Harrison Bergeron. Começa assim:

“Era o ano 2081, e toda a gente era finalmente igual. Não apenas perante Deus e a lei. Igual em todos os aspectos. Ninguém era mais inteligente. Ninguém era mais bem parecido. Ninguém era mais forte ou rápido. Toda esta igualdade era devida às 211.ª, 212.ª e 213.ª emendas constitucionais, e à vigilância incessante dos agentes da Direcção-Geral Incapacitante dos Estados Unidos.”

Com base no conto foi feito um filme. O conto é muito melhor que o filme, mas mesmo assim não é tempo perdido vê-lo depois de ter lido o conto.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Argumentos contra Formação Cívica e Área de Projeto

roda crianças formação cívica

Todos os governos têm feito a mesma coisa na educação: identificam coisas que acham erradas e fazem mudanças avulsas e mal preparadas que geralmente pioram a situação. Trocam coisas boas por coisas piores e corrigem mal coisas más. O atual governo já fez algumas dessas mudanças desastrosas e prepara-se para fazer outras. Um exemplo notório das que já foram feitas é a extinção dos exames no 1º e 2º Ciclo. Relativamente às que aí vêm, a pior (pelo menos enquanto não tentarem abolir as reprovações) é o regresso de disciplinas como Área de Projeto e Formação Cívica (neste caso no secundário, pois já existe nos Ciclos anteriores). Felizmente nem tudo é mau e há pelo menos duas intenções boas: reduzir o tamanho dos programas e redistribuir as cargas horárias das disciplinas, dado que algumas têm muitos tempos letivos e outras poucos. Veremos se essas intenções se concretizam e, caso se concretizem, se a redução e a redistribuição são bem feitas.

Quase toda a gente reconhece que os alunos têm aulas a mais e passam demasiadas horas na escola. Isso repercute-se por exemplo no peso das mochilas, que – como tem sido denunciado – é excessivo e prejudicial à saúde. Mas se é assim, é absurdo criar novas disciplinas. Novas disciplinas implicam mais tempo na escola e mochilas ainda mais pesadas.

Contudo, há argumentos mais fortes contra a existência desse género de disciplinas. Um deles é que, como mostra a experiência passada, não são eficazes.

Os alunos não aprendem a fazer trabalhos de pesquisa nem desenvolvem a sua autonomia fazendo trabalhos sobre temas vagos e desligados dos temas curriculares, como é típico de uma coisa chamada Área de Projeto. A interdisciplinaridade assim conseguida geralmente é nominal e não real: é apenas algo que fica escrito nos papéis que os professores são obrigados a preencher, mas não acrescenta nem competências nem conhecimentos aos alunos. Um inquérito a alunos que há anos atrás tiveram Área de Projeto no 12º ano e a alunos que têm disciplinas afins (com nomes diversos) na Universidade mostraria que a maioria deles as veem como disciplinas menores e até desprezíveis. Para que os alunos desenvolvam competências de pesquisa nada melhor que pedir-lhes trabalhos nas disciplinas curriculares e acompanhá-los na sua realização, mas para isso é preciso reunir algumas condições, nomeadamente tempo (os programas não deverão ser tão extensos como atualmente) e um mínimo de articulação entre os programas das várias disciplinas, para que a interdisciplinaridade não seja uma miragem que nunca sai do papel.

Quanto à Formação Cívica: a autêntica educação para a cidadania não é a “catequese” politicamente correta que geralmente faz parte dos programas dessa disciplina, mas sim um bom ensino das outras disciplinas. Na Filosofia, nas línguas estrangeiras, no Português, na Biologia, na História, entre várias outras disciplinas, há muitos temas cuja lecionação pode promover eficazmente – se incluir informação rigorosa e imparcial, debate dos aspetos polémicos, etc. – os valores democráticos, os direitos humanos e o respeito pela natureza, entre outras atitudes estimáveis. Fornecer, numa aula de Biologia, informações rigorosas sobre a genética e as raças é muito mais eficaz no combate ao racismo do que pedir aos alunos, em Formação Cívica, trabalhos de grupo panfletários sobre a igualdade racial. Discutir o relativismo cultural numa aula de Filosofia (por exemplo: criticar a excisão e o casamento de crianças implica desrespeitar os povos que têm esses costumes?) faz mais pela compreensão da importância dos direitos humanos do que a sua apologia em tom de sermão numa aula de Formação Cívica.

Por isso, uma boa maneira de aliviar as tardes e as costas dos alunos seria não fazer regressar essas disciplinas. Quanto à Formação Cívica que atualmente existe devia mudar o nome para Assuntos da Direção de Turma, que é a sensata função que muitos diretores de turma atualmente lhe dão.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Condenado a ser livre

Jean Paul Sartre dizia que os seres humanos estão condenados a ser livres, pois não só podemos escolher, como temos sempre de escolher. Tendo ficado sem uma perna não podemos escolher, obviamente, voltar a ter a perna de volta. Também não podemos escolher não ter tido negativa num teste ou não ter feito uma asneira que já fizemos. Mas em todos esses casos podemos escolher a nossa reação perante esses problemas. Não reagir (ou seja, ficar apático e baixar os braços) é também uma reação. Não querer escolher é também uma escolha: daí que Sartre não diga apenas que somos livres, mas que estamos condenados a sê-lo. E havendo liberdade há responsabilidade.

A história deste vídeo ilustra essa ideia muito bem e pode ser o princípio de uma discussão sobre o livre-arbítrio. Além disso, a história é bonita e edificante, sem ser moralista nem lamechas. Vale a pena ver.

The Present from Jacob Frey on Vimeo.

Quais são os prazeres superiores?

Stuart Mill distinguiu entre prazeres superiores e prazeres inferiores. Vamos tentar testar essa distinção. Se tivesse de escolher entre uma pizza e esta música de Handel, o que escolheria? E entre a pizza e o poema de Yeats?

pizza

Handel: He Shall Feed His Flock

Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;

Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;

Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.

W.B. Yeats, Uma antologia, tradução de José Agostinho Baptista, Lisboa, Assírio & Alvim.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Dúvidas sobre a escolha do curso superior? Há sítios a visitar

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No site da DGES podem pesquisar - na barra lateral - por área de estudos, por instituição, curso e distrito (obtêm informações das provas de acesso, das médias em anos anteriores). Eis o link:

Informação disponível relativa aos exames nacionais de 2017 é a seguinte: